Lewandowski comprou por R$ 9,4 milhões imóvel de alvo da PF, diz jornal
Então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski comprou por R$ 9,4 milhões imóvel de alvo da PF em 2024, de um homem investigado pela Polícia Federal por sonegação bilionária no setor de combustíveis. A informação é do jornal O Estado de S. Paulo.
Lewandowski afirmou que a compra foi feita de boa-fé. Em nota enviada ao UOL, o ex-ministro disse que pagou valor semelhante ao proprietário anterior e alegou nunca ter tido contato com os vendedores antes da venda.
O que aconteceu
A casa, na zona sul de São Paulo, pertencia a Alan de Souza Yang, conhecido como “China”. A aquisição foi feita por meio de uma empresa familiar que o ex-ministro mantinha em sociedade com seus filhos, ainda segundo o jornal. Lewandowski diz que foi levado à casa por um corretor e que não sabia dos processos contra China
Compra foi efetivada em março de 2024, um mês após posse de Lewandowski no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Naquele momento, China vinha sendo investigado há anos pela PF, já tinha sido condenado por adulteração de gasolina e era alvo de uma operação por sonegação em postos de combustíveis.
Meses antes do negócio, a casa havia sido vendida à esposa de China por R$ 4 milhões. Anajá de Oliveira Santos Yang é suspeita de ser laranja do marido. Um mês depois, a casa foi bloqueada pela Justiça Federal de São Paulo por causa de desdobramentos das investigações contra China. Por isso, o imóvel não poderia ser vendido. Caso os investigados fossem condenados, a casa poderia ir a leilão.
No ano passado, China foi alvo da Operação Carbono Oculto, realizada durante a gestão de Lewandowski à frente da Justiça. Na decisão que deflagrou a ação, China é descrito como um braço da dupla “Belo Louco” e “Primo”, que está foragida e negocia delação premiada. Eles são considerados chefes do esquema criminoso que lavava dinheiro para o PCC por meio do setor de combustíveis.
Empresa usada para aquisição de usinas sucroalcooleiras pelos empresários é ligada a China. Ele é citado na investigação como “proprietário de uma rede de distribuidoras e com relações com Mohamad (o Primo), e conhecido pela adulteração de combustíveis”.
Ex-ministro diz que não sabia que China era investigado
Lewandowski informou ao UOL que tem brigado para resolver a questão, com a regularização do imóvel ou, eventualmente, até com a sua devolução e ressarcimento do valor pago. Argumentou que a casa continua bloqueada pela Justiça, e ele nunca pôde ser efetivamente considerado o dono dela.
O ex-ministro diz ter conhecido os proprietários apenas na ocasião do negócio. Relata também ter sido apresentado ao imóvel por um corretor e que os donos da casa apresentaram todas as certidões e documentos comprovando que a residência estava em situação regular. Ao Estadão, Lewandowski disse que não era possível saber que Yang era investigado porque os processos contra ele corriam em segredo de Justiça.

Ex-ministro justificou ao Estadão que a compra foi por questão de segurança, após ele assumir o Ministério da Justiça. Lewandowski morava em uma casa de rua e preferia, naquele momento, a segurança de um condomínio fechado.
Casa tem 777 metros quadrados e fica em um condomínio fechado na Zona Sul de São Paulo, segundo o Estadão. Após um longo histórico de bloqueios judiciais sobre seus antigos donos em razão de dívidas com bancos, foi comprada em leilão em 2019 pelo pai de China —que também é alvo de investigações da PF—, por R$ 4,9 milhões.
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