STF anuncia afastamento de Toffoli da relatoria do caso Master
O STF – Supremo Tribunal Federal, na noite desta quinta-feira (12), divulgou uma nota informando o afastamento de Toffoli da relatoria do caso Banco Master, depois que o ministro Luiz Edson Fachin convocou uma reunião com os colegas dele para discutir o assunto.
“Nós iremos apenas fazer a oitiva das primeiras sustentações orais, eis que em seguida irei encerrar a sessão, pois haverá um diálogo entre os ministros deste tribunal”.
Por conta disso, nenhum processo foi julgado e a sessão encerrada mais cedo. A reunião foi a portas fechadas. No gabinete da presidência, apenas os ministros do Supremo – oito presencialmente, entre eles o ministro Dias Toffoli, e os ministros Luiz Fux e André Mendonça por videoconferência.
VEJA NOTA DIVULGADA NA ÍNTEGRA
“Os dez ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos hoje no Supremo, (…) reconhecem a plena validade dos atos praticados pelo ministro Dias Toffoli na relatoria da reclamação número 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência e expressam neste ato, apoio pessoal ao excelentíssimo ministro Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Registram ainda que a pedido do ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos e considerados os altos interesses institucionais, a presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua relatoria, para que a presidência promova a livre redistribuição. A presidência adotará as providências processuais necessárias para a extinção da A.S. para a remessa dos autos ao novo relator”.
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TOFFOLI CITADO EM CONVERSAS EM MENSAGENS DE VORCARO
Esse novo capítulo da crise do Master mobiliza ministros do Supremo desde quarta-feira (11) à noite, quando veio a público a informação de que a Polícia Federal encaminhou ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, o relatório sobre os celulares de Daniel Vorcaro. Nesta quinta-feira (12), o ministro Dias Toffoli admitiu ser sócio da empresa que vendeu participação no resort Tayayá, mas negou irregularidades.
Os peritos da Polícia Federal encontraram mensagens citando o ministro Dias Toffoli, relator do caso Master no Supremo, em um dos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Master. Os aparelhos foram apreendidos em uma operação da PF.
O relatório, encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, segunda-feira (9), cita conversas entre Vorcaro e Toffoli, e mensagens entre Daniel Vorcaro e o cunhado dele, Fabiano Zettel, sobre o pagamento de um resort da família de Dias Toffoli, no Paraná – o Tayayá. No documento, a PF não pede afastamento de Toffoli da relatoria, mas cita um possível descumprimento da Lei da Magistratura, que rege a atuação dos juízes brasileiros.
O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determinou que o material enviado pela PF fosse autuado como arguição de suspeição – um instrumento jurídico que questiona a imparcialidade de um ministro quando há indícios de vínculo ou interesse que possam comprometer a atuação do magistrado em um determinado caso.
Em uma rede social, a ONG Transparência Internacional recomendou que Toffoli seja afastado e investigado e disse:
“O Brasil e a comunidade internacional precisam acompanhar com máxima atenção este caso. A corrupção do Judiciário impede o desenvolvimento socialmente justo e é devastadora para os direitos humanos, a segurança pública e a democracia”.
Por Beatriz Marks

