‘Como pode ser uma ameaça classificar como terroristas facções que nós precisamos combater?’ questiona dep. Silvio Antonio

Em seu discurso na tribuna da câmara federal, nesta quarta (18/03), o deputado Silvio Antônio (PL-MA) questionou como pode ser uma ameaça à segurança nacional classificar as facções PCC e CV como terroristas; sugeriu ainda aos parlamentares governistas que se adiantem em fazer essa classificação sem que outros países o façam, como é o caso dos EUA, da Bolívia e do Paraguai, que sentem os efeitos da violência e do terror gerados por tais grupos em seus territórios.

O parlamentar afirmou ainda que o que os EUA querem é ajudar o Brasil a combater o crime organizado, mas o governo Lula se recusa a aceitar.

“Os Estados Unidos, por já se sentirem ameaçados pela presença dessas facções em seu território, querem fazer tal classificação, mas o Governo Lula não concorda com isso, alegando que se trata de uma ameaça à segurança nacional e à soberania do Brasil. Como pode ser uma ameaça classificar como terroristas facções que nós precisamos combater?“, questinou.

A possibilidade de tal classificação, tem gerado um impasse diplomático para o governo brasileiro que rejeita a rotulagem, alegando que as facções visam lucro e não ideologia, sem envolver crimes de ódio ou religioso, temendo riscos à soberania nacional e intervenções externas.

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O Brasil já tem 26% de seu território dominado pelo crime organizado, segundo um estudo publicado pela Cambridge University Press, editora acadêmica inglesa, sendo com folga, o país da América Latina com o maior percentual da população, cerca de 60 milhoes de pessoas, vivendo sob as regras impostas por grupos criminosos, a chamada governança criminal. Já são 28 países que fazem parte da rede criminosa.

Após encontro com Lula, em Brasilia, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, disse: “Temos um problema com o Brasil, que nos importa violência”, apontando as facções criminosas.

Segundo o G1, Lula pretende fazer uma visita oficial à Casa Branca, para se reunir com o presidente Donald Trump. A ideia inicial era que o encontro ocorresse neste mês de março, mas diante da dificuldade de agendas, uma data ainda não foi acertada.

Como pode ser uma ameaça classificar como terroristas facções que nós precisamos combater
Brasil tem cerca de 100 facções em atuação, segundo a Secretaria Nacional de Política Penais

Quem pode ser classificado?

Nos EUA, o conceito de organização terrorista é mais genérico, e o presidente tem mais poder para aplicar esta definição. Um dos critérios é “representar ameaça à segurança de cidadãos ou à segurança nacional dos EUA”.

Para receber a designação de Organização Terrorista Estrangeira (FTO, na sigla em inglês), é preciso cumprir alguns critérios, segundo o Departamento de Estado dos EUA.

São três condições principais:

  • Ser uma organização estrangeira.
  • Engajar-se em atividade terrorista (ou ter capacidade e intenção de fazê-lo).
  • Representar ameaça à segurança de cidadãos ou à segurança nacional dos EUA (defesa, relações exteriores ou interesses econômicos).

O que acontece quando um grupo recebe essa designação?

A classificação tem consequências legais e políticas importantes, por exemplo:

  • É crime nos EUA fornecer “apoio material” (dinheiro, treinamento, armas, serviços etc.) ao grupo.
  • Ativos financeiros ligados ao grupo podem ser bloqueados e transações proibidas.
  • Membros ou associados podem ter visto negado ou ser deportados.
  • A designação ajuda a isolar o grupo internacionalmente e a cortar seu financiamento.

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“Sr. Presidente, eu quero falar sobre a classificação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas, porque já são criminosos. Os Estados Unidos, por já se sentirem ameaçados pela presença dessas facções em seu território, querem fazer tal classificação, mas o Governo Lula não concorda com isso, alegando que se trata de uma ameaça à segurança nacional e à soberania do Brasil.
Como pode ser uma ameaça classificar como terroristas facções que nós precisamos combater?

E isso o Brasil não está conseguindo fazer. O que os Estados Unidos querem é ajudar a combater o crime organizado, que já chegou, com essas facções, a 28 países. Agora não são só os Estados Unidos que querem esse reconhecimento. O Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, disse recentemente que o Brasil exporta violência ao seu País. O Presidente do Paraguai pede ao Presidente Trump que o PCC e o Comando Vermelho sejam classificados como grupos terroristas.

Portanto, meu povo, eu quero aqui dar uma sugestão aos Parlamentares da base do Governo Lula para que se adiantem e classifiquem essas facções como grupos terroristas. Não precisam esperar os Estados Unidos, a Bolívia, o Paraguai. Vamos fazer logo isso, enquadrar esses grupos e combatê-los. É isso que nós precisamos fazer.

Fica aqui a sugestão.”

Links: Estudo da Cambridge University Press

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