EUA reiteram que classificarão CV e PCC como terroristas
Em reunião com o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, autoridades dos Estados Unidos reiteraram que o governo Donald Trump classificará o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, apesar da resistência do governo Lula (PT) e pretende fazer ofensiva contra as duas facções.
O Departamento de Estado argumenta que esses grupos movimentam grandes quantias por meio de lavagem de dinheiro e que o aumento do rigor, por meio da nova classificação, facilitará a asfixia financeira.
O aviso com antecedência é considerado uma “deferência” ao Brasil (respeito, consideração, apreço ou reverência) tendo em vista que há países que não foram informados previamente sobre a medida. O México, por exemplo, não recebeu tal comunicado antes de a Casa Branca classificar seis grandes cartéis como terroristas.
A provável classificação de CV e PCC como organizações terroristas estrangeiras [FTOs, na sigla em inglês] representa mudança de paradigma na política externa dos EUA para a América Latina. O status de terrorismo aciona o braço financeiro do Departamento do Tesouro com mais rigor.
A movimentação coloca o governo Lula em posição diplomática delicada. O Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça defendem que o enfrentamento ao crime organizado deve se dar pela cooperação policial, não pela elevação do tema ao nível de ameaça à segurança nacional.
A resistência está na preocupação de que a classificação abra precedentes para intervenções externas ou sanções indiretas que afetem a soberania nacional, a economia e o setor de turismo.
Quem está por trás das tratativas
Segundo o UOL, por trás do avanço da pauta em Washington está Eduardo Bolsonaro.
O ex-deputado teria pedido aos presidentes Javier Milei, presidente da Argentina e Nayib Bukele, presidente de El Salvador, para que apoiassem a iniciativa junto ao governo Trump.
O movimento já está avançado. A documentação foi concluída pelo Departamento de Estado e passou pela avaliação de outras agências americanas.
O processo segue o mesmo padrão adotado com outros grupos da América Latina, como o Cartel de Jalisco, do México, e o Tren de Aragua, da Venezuela.

