Presidente do TST explica sua fala de ser um “juiz vermelho” e que “atua por uma causa”

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luís Felipe Vieira de Mello Filho, se manifestou nesta segunda-feira, 4, para explicar seus comentários sobre ser um juiz vermelho e terem juízes azuis, feitos durante discurso no Congresso Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Conamat), na sexta-feira, 1º de Maio, Dia do Trabalhador.

Na ocasião, ele disse que “nós, vermelhos, temos causa”, reforçando uma visão de atuação voltada para princípios e não para interesses, o que rapidamente ganhou destaque no cenário político e jurídico.

A fala gerou reação imediata nas redes sociais, principalmente pela oposição ao governo Lula, associando a fala do presidente do TST, ao vermelho do Partido dos Trabalhadores e por isso não haveria imparcialidade no judiciário brasileiro.

Segundo ele, a divisão entre juiz vermelho e azul saiu de um curso para advogados sobre como atuar no TST, do qual participam ministro do próprio tribunal, entre eles Ives Gandra Martins Filho, que se manifestou logo depois do presidente do TST falar.

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Vieira de Mello também criticou o fato de que uma parte de seu discurso foi “recortada na internet e transmitida sem que houvesse uma integralidade do contexto pelo qual se falava”.

“Há pouco conversei com o ministro Ives Gandra, [por]que isso começa num evento que foi formulado para ensinar a advogar no Superior Tribunal do Trabalho. Esse evento teve como escopo a participação de colegas para ensinar a advogar no tribunal. Quando eu tomei ciência das mensagens que recebi, eu procurei o coordenador desse curso, ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, em meu gabinete, e disse a ele que não deveríamos nos imiscuir nesse tipo de concílio, ‘Curso prático para atuação no Tribunal Superior do Trabalho’, na corte na qual nós militamos”, comentou Vieira de Mello após abrir a sessão de julgamento do tribunal nesta segunda.

JUIZ VERMELHO E AZUL

“E recebi também post de slides onde constava expressamente ministros e ministras azuis e vermelhos, mais liberais ou mais intervencionistas, mais legalistas ou mais ativistas, mais patronais ou mais protecionistas, como se não tivesse sido extinta a representação classista. Turmas azuis e turmas vermelhas, propícias às empresas ou mais propícias aos empregados. A minha manifestação em um evento público foi no sentido de dizer que eu sou um defensor desta Justiça”, seguiu o presidente do TST.

“Essa Justiça foi construída neste país desigual por força de uma luta social na defesa e na tutela e na proteção de trabalhadores brasileiros, que conquistaram com muita luta os seus direitos. E eu quis dizer, batizado que fui pela cor que me deram, eu queria deixar claro qual era a minha causa. A minha causa é a defesa desta instituição, é uma história de família, é uma história de vida. Eu não participo de nenhum evento pago, e essa é a minha história de vida. E, naquele momento, eu estava dizendo para os juízes brasileiros que nós precisamos defender a nossa Justiça, que está ameaçada. Como se as pessoas não precisassem de uma tutela”, acrescentou Vieira de Mello.

REAÇÕES E CRÍTICAS NAS REDES

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