Jaques Wagner “explica” os dólares e euros apreendidos com ele pela PF
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que os 55 mil dólares e os 33 mil euros em espécie apreendidos em endereços seus pela Polícia Federal na 9° fase da Operação Compliance Zero eram de viagens que ele realizou. Parte do dinheiro, segundo Wagner, foi de diárias recebidas do Senado.
“Eu várias vezes viajei para o exterior. Mandei até levantar e, de 2019, para cá eu recebi de diárias aproximadamente 70 mil dólares. E outras vezes que eu fui viajar eu comprei via Banco do Brasil, onde eu tenho a conta, dólares ou euro para fazer a viagem”, afirmou Jaques Wagner, em entrevista à BandNews.
As suspeitas detalhadas pela PF envolvem não apenas benefícios patrimoniais e financeiros atribuídos ao entorno do senador, mas também a suposta atuação de Wagner em temas de interesse do Banco Master no Congresso. Entre eles estão mudanças nas regras do crédito consignado, discussões sobre os limites de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e iniciativas relacionadas à tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
De acordo com os investigadores, as vantagens incluiriam um apartamento de aproximadamente R$ 2,45 milhões em Salvador, o uso de aeronaves privadas, ingressos para shows nos Estados Unidos e repasses a empresas ligadas ao entorno familiar do parlamentar. Ele também teria recebido R$ 3,5 milhões indiretamente.
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Direita maranhense!
O senador foi alvo de busca e apreensão por suspeita de fraudes envolvendo o Banco Master, que ele possivelmente tenha recebido vantagens financeiras em troca de atuar em favor da instituição.
Na entrevista, Wagner alegou que, em algumas ocasiões, recebeu as diárias em espécie, mas preferiu usar cartão de crédito na viagem.
“Está guardado no cofre porque (quando) eu vou viajar nem sempre eu levo a diária, às vezes gasto com um cartão e portanto o dinheiro está lá. Os envelopes, inclusive, onde estavam no caso de Brasília, eram envelopes com um timbre do Senado Federal, que é quando você recebe a diária em espécie, em dólar”, relatou.
PF investiga atuação de Wagner em pautas de interesse do Master no Congresso
Para a PF, os benefícios patrimoniais e financeiros atribuídos ao entorno de Jaques Wagner não se restringiriam a uma relação de amizade com o empresário Augusto Ferreira Lima. Os investigadores sustentam que o senador também teria atuado em temas considerados estratégicos para a instituição financeira e para empresas associadas ao grupo.
Um dos eixos da apuração envolve propostas relacionadas ao mercado de crédito consignado, área em que o Master se consolidou por meio do CredCesta. Segundo a PF, Wagner e Augusto Lima mantiveram conversas sobre medidas destinadas a ampliar a margem consignável de trabalhadores, aposentados e pensionistas e permitir a concessão de empréstimos para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de programas de transferência de renda do governo federal.
Outro ponto sob investigação é a PEC 65/2023, que trata da autonomia financeira do Banco Central. A proposta recebeu uma emenda que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por investidor.
Wagner afirmou que mesmo com o escândalo, que pode manchar ainda mais a imagem de Lula, não irá se afastar da liderança nem desistir de sua pré-candidatura à reeleição ao Senado.
Caso Master
A Operação Compliance Zero é uma investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e seu presidente, Daniel Vorcaro.
A primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025, após indícios de que o banco emitiu títulos de investimento sem garantias suficientes, com objetivo de atrair clientes com promessas de rentabilidade acima da média do mercado. Na ocasião, Vorcaro foi preso, e a PF estimou um prejuízo potencial de até R$ 12 bilhões.


